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11 Out 2010


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 RADIOGRAFIA

 

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Para identificação de fissuração subsuperficial ou em zonas inacessíveis usa-se a "Radiografia" (esta última utilizando os raios X ou Gama).

A "Radiografia" utiliza equipamentos pesados e caros e envolve perigos para os seres vivos que inadvertidamente se exponham às radiações electromagnéticas durante a realização destes END, pelo que a sua execução impõem cuidados e normas especiais.

A Radiografia obtém-se por exposição da peça que se pretende avaliar, devidamente orientada segundo o melhor ângulo e de acordo com o tipo de defeito que se pretende identificar e de acordo com as características geométricas do componente.

Este método pressupõe uma fonte de radiação electromagnética suficientemente potente (por isso se utiliza a radiação X ou Gama) para poder atravessar as paredes metálicas dos componentes durante um intervalo de tempo proporcional à espessura a inspeccionar, à potência da fonte de radiação e à distância entre a fonte e a peça.

Imediatamente por detrás da superfície a avaliar é colocada uma película radiográfica que ao ser atingida pelas radiações irá ser impressionada de acordo com a quantidade de radiação que a atinge (como nas fotografias). A maior ou menor quantidade de radiação que chega à película depende da existência de zonas sem material a que correspondem fissuras, ocos, poros, etc., que por não absorverem energia permitem a passagem de maior quantidade em direcção à película.

Após a revelação da película radiográfica (como nas fotografias) a presença dos eventuais defeitos irá aparecer sob a forma de riscos e marcas mais escuras. Tal como noutros END é necessário distinguir entre anomalias inócuas e defeitos significativos. Para isso devem usar-se películas de sensibilidade apropriada e a sua revelação deve realizar-se de acordo com padrões internacionalmente aceites. Uma vez mais, a experiência e competência dos executantes e intérpretes é fundamental para uma correcta avaliação.

Este método é sempre utilizado perante zonas inacessíveis ou para avaliar áreas que se encontram escondidas por detrás de grandes espessuras. Assim, para grandes espessuras aumenta a potência da fonte de radiação ou o tempo de exposição.

A fonte de radiação pode ser um equipamento de emissão de raios X em que a potência radioactiva é controlada electricamente e o feixe de radiação pode ser dirigido segundo um cone de dispersão orientável. Este equipamento é caro e apenas necessita de alimentação eléctrica para a sua utilização.

Uma alternativa a este equipamento é o uso de radiação Gama, normalmente, libertada por uma fonte radioactiva, que pode ser preparada em laboratório ou ser proveniente dos subprodutos físseis duma central nuclear. De todos os subprodutos radioactivos, existem alguns, designados por isótopos, que emitem radiação Gama, de entre os quais o Irídio 192 é o mais utilizado.

Os equipamentos que utilizam os isótopos radioactivos são constituídos, basicamente, por uma caixa-contentor, com dimensões aproximadas a uma mala pequena, construída em chumbo e concreto para conter as radiações. Ao contrário dos equipamentos de raios X que só produzem radiação quando são activados, as fontes de raios Gama estão constantemente a emitir radiação em todas as direcções. Enquanto essa fonte se encontra no interior dos contentores a radiação libertada é absorvida pelas paredes dos mesmos. Uma vez a fonte exposta no exterior a radiação que liberta pode ser utilizada para impressionar uma película radiográfica.

Os isótopos radioactivos obedecem a uma lei física que determina que ao fim de um determinado período de tempo (horas, dias, meses ou anos) a potência radioactiva decai para metade e assim sucessivamente ao fim de cada período com a mesma duração. Este facto determina o desgaste das fontes radioactivas o que onera a exploração deste método radiográfico. No caso particular do Irídio 192, a sua massa e potência radioactiva decaem para metade ao fim de cada período de 73.4 dias.

Para além do custo de exploração inerente ser bastante elevado (para um baixo investimento inicial) por oposição ao método de raios X (em que o investimento inicial é elevado mas o custo de exploração baixo) os perigos inerentes à utilização e operação de um equipamento de raios Gama são muito superiores relativamente à utilização dos raios X. Por este motivo e para se eliminar o manuseamento de material radioactivo, este processo está proibido em muitos países e em muitas actividades, por isso em extinção.

As suas vantagens em relação aos raios X residem em utilizarem equipamentos de menores dimensões (embora maior peso) e potências radioactivas maiores o que permite maior produtividade na realização dos ensaios.

Este método de END é muito utilizado na avaliação de soldaduras, sobretudo na avaliação dos cordões de raíz e intermédios, dada a sua inacessibilidade provocada pela deposição dos sucessivos cordões.

Com este método é possível localizar os defeitos e ter uma percepção das suas dimensões através da comparação com outro objecto de dimensões conhecidas e radiografado em simultâneo.

Os executantes de END por Radiografia devem ser constantemente vigiados através de análises ao sangue e usar dosímetros ou placas detectoras, a fim de controlar as doses radioactivas a que ficaram expostos durante um determinado período.


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