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08 Out 2010


GLOSSÁRIO  DE TERMOS  TÉCNICOS

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Safe Life

É a designação em linguagem anglo-saxónica de um princípio de concepção de conjuntos aeronáuticos baseados na possibilidade de falha de um dos seus constituintes para além do ciclo de vida do conjunto em que estão inseridos, i.e., a falha de um componente só deverá ocorrer depois de o mesmo ter sido retirado do serviço. Corresponde à designação em língua portuguesa do princípio "Vida Segura". Com base neste princípio de projecto, a filosofia de manutenção pode ditar uma frequência de inspecções mais reduzida.

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Sangria de Ar

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Bleed air". É uma quantidade de ar relativamente pouco aquecido e que é extraída de alguns andares do compressor. Este ar é posteriormente utilizado para várias finalidades, de entre as quais para: actuar motores de arranque pneumáticos de outros motores da mesma aeronave, ser utilizados nas unidades de ar condicionado, a ser utilizado no arrefecimento de pás estáticas e rotativas, especialmente da turbina, para comando de válvulas e outros dispositivos e ainda para aquecimento de superfícies expostas à formação de gelo.

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Secções de Referência

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Engine Stations". São designações normalizadas referentes a secções de referência por caracterizarem termodinâmicamente os motores. São designadas por números a partir da entrada de ar para a tubeira de escape. A sequência varia consoante o tipo e características dos motores conquanto se trate de motores de um, dois ou três veios. Genericamente, a entrada de ar é designada por secção 1; a descarga do compressor por secção 2; a entrada na turbina por secção 3 e a área de escape por secção 4. Os parâmetros referentes a essas secções são assim designados por estes índices (por exemplo: pressão estática à entrada do motor é designada por Ps1). Nos motores em que existem outras secções relevantes a numeração é desfasada de acordo com o número dessas secções.

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Sentido de Rotação

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Direction of rotation". Designa o sentido de rotação do motor. Esta designação é atribuída tendo por referência um observador colocado junto à tubeira de escape do motor e virado de frente para este (na direcção de voo). Nestas condições um motor que rode para a direita designa-se por rodar no sentido dos ponteiros do relógio (em linguagem anglo-saxónica designada por "Clockwise Direction" ou "CW". No caso contrário designa-se por rodar no sentido oposto aos ponteiros do relógio (em linguagem anglo-saxónica designada por "Counterclokwise Direction" ou "CCW".

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Serial-Number

Em língua portuguesa designado por "Número de Série". Trata-se de uma referência numérica ou alfanumérica atribuída pelo fabricante (OEM) para serializar os artigos que produz com o mesmo Part-Number e para os distinguir entre si. Para um dado Part-Number não pode existir duplicação do Serial-Number. A aplicação do Serial-Number é usada para componentes principais, que desempenham uma função especial no conjunto do motor. Para os outros componentes, cuja função é indistinta, usa-se o Número de Lote em vez do Serial-Number. Estes números são fundamentais para o controlo de configuração dos produtos aeronáuticos e para controlo do potencial e limite de vida de alguns componentes fundamentais. É através destes números que é possível efectuar-se a rastreabilidade de componentes.

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Service Limits

É a designação em linguagem portuguesa de "Limites de Usado". São as dimensões, tolerâncias e folgas aprovadas pela autoridade aeronáutica e decorrentes do desgaste provocado pelo uso. Ainda assim, permitem a continuação de utilização do componente sem comprometer a segurança de voo, admitindo uma dada taxa de degradação da funcionalidade e o desempenho do subconjunto onde está instalado. Estes limites podem ser acompanhados de tolerâncias subdimensionadas ou sobredimensionadas como padronizadas.

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Solidificação Orientada

Em linguagem anglo-saxónica designado por "Directionally Solidified" ou "DS". Trata-se de uma técnica de fundição de ligas e superligas, baseadas na formação da peça a partir de ligas constituídas por cristais longitudinais e alinhados segundo uma direcção preferencial. O processo ocorre durante a solidificação e é usada uma técnica de arrefecimento progressivo e orientado por forma a direccionar os cristais. Com esta técnica elimina-se o crescimento aleatório dos cristais, evitando-se a sua intersecção e assim, minimizando os defeitos intercristalinos. Os componentes fabricados a partir de ligas de cristais provenientes da Solidificação Orientada possuem uma maior resistência comparativamente aos métodos clássicos de fundição. São principalmente usados no fabrico de pás de turbina. Como os maiores esforços que actuam nas pás das turbinas são devidos à força centrífuga, os cristais das pás são orientados segundo o seu eixo longitudinal.

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Sulfidação

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Sulfidation". É um tipo de corrosão provocada nas superfícies dos componentes instalados na zona quente dos motores, devida à presença de produtos de reacção originados durante a combustão de hidrocarbonetos, ricos em enxofre, na presença das elevadas temperaturas que se desenvolvem naquelas áreas. Este tipo de corrosão também pode surgir quando a operação do motor se desenrola na presença de atmosferas poluídas por enxofre. O enxofre libertado durante a combustão combina-se com o oxigénio, formando dióxido de enxofre que uma vez combinado com a água origina ácido sulfúrico. Ambos os produtos de reacção são altamente nocivos às ligas usadas naquela área dos motores (apesar da sua resistência têm de se submeter a revestimentos específicos e resistentes a este tipo de substâncias).

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TBO

É a designação em linguagem anglo-saxónica de "Time Between Overhaul". Em linguagem portuguesa significa o tempo decorrido entre revisões gerais a um motor. Trata-se de uma designação equivalente a potencial para uma unidade de medida de potencial contabilizada em horas de funcionamento. Esta designação ainda é muito frequente em programas de manutenção de motores fabricados nas décadas de 60, 70 e alguns de 80.

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TDR

É a designação em linguagem anglo-saxónica de "Teardown Report". Em linguagem portuguesa designa-se por "Relatório de Condição". Estes relatórios são elaborados no final da etapa de inspecção, após se ter procedido à desmontagem e à avaliação de todos os componentes cujos critérios de avaliação assim o determinam. Pelo seu teor, estes relatórios são o primeiro indicador da quantidade e discriminação de componentes afectados por anomalias e que, por isso, necessitarão de substituição ou acções correctivas através de operações de reparação, reconstrução ou modificação. São, por isso, o primeiro indicador do nível de custo que uma dada acção de manutenção poderá implicar. O TDR deve conter a lista completa dos componentes a submeter a reparação ou substituição. Frequentemente este relatório apenas menciona os componentes principais ou aqueles cujo custo de reparação, reconstrução, modificação ou aquisição, é mais significativo e tem maior impacte no orçamento de manutenção ou reparação. Este relatório deve ser acompanhado por uma descrição cabal das anomalias que originaram as acções de reparação, reconstrução, modificação ou substituição e é normalmente documentado com fotografias evidenciando as anomalias detectadas. Em muitos casos este relatório é imediatamente acompanhado pelo respectivo orçamento de reparação.

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Temperatura de Escape

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Exhaust Gas Temperature" ou "EGT". Designa a temperatura dos gases de escape à saída da turbina ou próximo da secção de escape. É um dos parâmetros mais críticos do motor e usado para controlar a segurança e integridade da turbina e do motor. A um aumento brusco do EGT normalmente corresponde um problema. Numa aeronave comercial o EGT atinge 530 ºC à descolagem e cerca de 370 ºC durante o voo de cruzeiro. Por vezes é utilizada a designação de "MGT" de "Mean Gas Temperature" que resulta da medição de vários termopares. Como não é possível medir directamente a temperatura à saída da câmara de combustão ou entrada na turbina (T3 ou T5), por ser demasiado elevada e os materiais constituintes dos termopares não resistirem, o seu valor é, normalmente, calculado tendo por base, de entre outros parâmetros, a temperatura de escape.

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Tempo Limite de Vida

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Time Limited Parts" ou “TLP” ou “Life Limited Parts”. É a designação atribuída aos componentes que possuem uma duração de uso limitada por tempo ou número de ciclos de funcionamento. Também designados por TLV. Esta limitação é imposta por segurança e deve-se ao facto da resistência dos materiais se reduzir pelos efeitos da fadiga e fluência que são acumuláveis. Este efeito e esta medida de segurança incidem normalmente sobre aqueles componentes cujo funcionamento no motor os expõem em maior grau a esses esforços. São exemplos os discos e espaçadores do compressor e da turbina.

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Tempo Médio entre Falhas

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Mean Time Between Failures" ou "MTBF". É a designação e a medida do intervalo de tempo médio que um componente funciona sem ocorrer qualquer falha. Através do conhecimento dos MTBF para cada componente é possível prever a substituição antecipada dos mesmos a fim de evitar falhas inopinadas.

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Termopar

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Thermocouple". É uma junção entre dois metais diferentes com propriedades conhecidas que quando sujeitos a aquecimento produzem uma corrente eléctrica aplicada aos seus terminais. Um circuito típico é constituído pela “junção quente” (que é colocada em contacto como o meio em que se pretende avaliar a temperatura) e pela “junção fria” que se situa junto do ponto onde é medida a corrente gerada. As “junções quentes” são normalmente formadas por pares de Ferro e Constantan ou Alumel e Chromel que são os metais vulgarmente utilizados para o fabrico de termopares. A temperatura da “junção fria” tem que ser conhecida e controlada uma vez que a corrente produzida na “junção quente” depende da temperatura a que se situa a “junção fria”. Este comportamento apresenta uma gama de temperaturas em que a corrente produzida é directamente proporcional à temperatura a que a junção dos dois metais está sujeita. A medição de elevadas temperaturas ao longo da zona quente do motor realiza-se através da utilização de termopares. Os termopares são classificados de acordo com a gama linear de variação de tensão em função da temperatura que apresentam e são constituídos por diferentes metais. Consoante a temperatura e precisão da medição utilizam-se termopares do tipo J, K, T, entre outros.

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Troubleshooting

É a designação em linguagem portuguesa de "Pesquisa de Avarias" ou "Diagnóstico de Anomalias". Corresponde a um exercício lógico e sequenciado de acções de despiste de anomalias, começando por aquelas que parecem mais evidentes ou com maior probabilidade de ocorrência e prosseguindo em função dos resultados que se vão obtendo. Normalmente, após a primeira triagem, a identificação da anomalia é imediata. Nos motores de fabrico mais recente, existem instalados nas aeronaves sistemas automáticos que realizam o diagnóstico de avarias de forma contínua, mas com algumas limitações, não substituindo o papel relevante do técnico nesta tarefa.

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TSN

São as iniciais de "Time Since New". Corresponde à designação em língua portuguesa de "Horas Desde Novo" e representa o total de horas acumuladas pelo componente (ou outro produto aeronáutico) desde que foi fabricado e colocado em serviço pela primeira vez. Este parâmetro contabiliza toda a vida de fadiga do componente. À semelhança deste parâmetro, existem outros parâmetros que contabilizam o número de unidades de medida de potencial tais como ciclos, aterragens, etc..

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Tubeira de escape

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Exhaust Pipe" ou "Exhaust Nozzle" ou “Jet Nozzle” É a tubeira colocada à saída do motor através da qual os gases de escape depois de atravessarem a turbina são descarregados e ligeiramente desacelerados e comprimidos. Há motores em que é possível actuar nesta área de saída a fim de reduzir ou aumentar o empuxo. A uma redução da área corresponde um aumento de empuxo e vice-versa. No entanto, há que ter atenção ao aumento da temperatura de escape e à possibilidade de se originar uma perda do tipo "surge". Os gases de escape ao deixarem a turbina podem atingir velocidades da ordem dos 360 m/s (sónica). Nestas condições, o escoamento torna-se supersónico na secção de saída da tubeira não permitindo o aumento de caudal dos gases de escape sem que ocorra um aumento da temperatura, tornando o motor “engasgado” que na linguagem anglo-saxónica se designa por “choked”.

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Turbina

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Turbine". Nos motores de turbina de gás, a turbina é constituída por uma sequência divergente de perfis aerodinâmicos dispostos circunferencialmente em elementos rotativos (rodas) e estáticos (vanes) ao longo de vários andares, provocando o aumento do volume disponível para o ar se escoar e expandir, impelido pela rotação dos elementos rotativos. Em alguns motores a turbina está dividida em duas secções de baixa e alta pressão e que rodam a diferentes velocidades por estarem instalados em diferentes veios. Os veios estão solidários com os correspondentes andares do compressor e um deles está montado no interior do outro. Nos motores do tipo turbofan um dos veios está ligado à fan de forma directa ou por interposição de uma caixa de redução. Nos motores do tipo turboprop ou turboshaft pode existir uma secção da turbina que não está ligada ao compressor mas directamente à caixa de redução do veio do hélice. Neste caso esta secção da turbina designa-se por turbina livre por oposição à turbina que roda solidária com o compressor designada por turbina ligada.

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Unidade de Medida de Potencial

É a unidade em que se mede o desgaste ou utilização do motor ou componentes aeronáuticos, acumulada entre intervenções específicas. As unidades de medida de potencial podem contabilizar-se em meses ou anos de calendário, horas de funcionamento, ciclos de utilização, aterragens, arranques, descolagens, inspecções, etc..  Por exemplo, para um componente ao qual foi atribuído um potencial de 500 ciclos, significa que sempre que contabilize aquele número de ciclos, terá que submeter-se ao mesmo tipo de intervenção.

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Unidade de Medida de Utilização

É a unidade em que se mede o desgaste ou utilização do motor ou componentes aeronáuticos. As unidades de medida de utilização podem contabilizar-se em meses ou anos de calendário, horas de funcionamento, ciclos de utilização, aterragens, arranques, descolagens, inspecções, etc..

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Utilizável

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Serviceable". É a designação atribuída aos componentes, acessórios e motores aeronáuticos, depois de terem sido inspeccionados e considerados isentos de quaisquer anomalias ou defeitos, podendo de novo ser utilizados. A sua reutilização aeronáutica implica a verificação de outras condições para que se considere como apto para uso, nomeadamente o historial do produto. Um componente em estado utilizável pode ser novo, reconfigurado, reparado ou usado. Porém, um componente nestas condições pode não estar aprovado como apto para o uso se não existir a confirmação do seu histórico, nomeadamente, a sua proveniência, o seu tempo de funcionamento ou número de utilizações, a identificação da última entidade que o intervencionou, etc..

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Vane

É a designação em linguagem anglo-saxónica das pás estáticas do compressor e turbina. Estas pás são construídas em metal (normalmente em aço inoxidável para o compressor e em ligas à base de níquel resistentes a altas temperaturas para a turbina). Na grande maioria dos casos são ainda revestidas por películas metálicas depositadas por via electroquímica ou física, para aumentar a resistência superficial à corrosão e à erosão. Os revestimentos das pás da turbina são especialmente concebidos para aumentar a resistência às elevadas temperaturas e combinação de corrosão sob tensão e em ambiente de altas temperaturas. Para aumentar a resistência às elevadas temperaturas algumas pás da turbina, sobretudo as expostas a maior temperatura, são perfuradas de modo a ser atravessadas por ar moderadamente quente proveniente de uma sangria do compressor em que se cria uma película envolvente das superfícies (intradorso e extradorso) da pá de modo a isolá-las do contacto directo com os gases de escape altamente aquecidos. Normalmente as pás constituem componentes isolados (agregados por sectores que contêm 2 a 3 pás) que são montados sob a forma de coroas circulares e intercaladas entre as pás rotativas de compressor ou de turbina, em número que pode atingir cerca de 60 pás por andar, dependendo da dimensão e concepção do motor. Noutros casos, as pás estáticas constituem um conjunto único. As pás estáticas tal como as rotativas têm formas alares.

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Zona Fria

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Cold Section". É a a secção do motor não afectada pelo aquecimento derivado da combustão e constituída essencialmente pela fan, compressor e difusor. Os andares do compressor mais próximos do difusor aquecem moderadamente o ar por acção do efeito de compressão deste, mas não o suficiente para poder causar danos aos materiais constituintes dos seus componentes.

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Zona Quente

Em linguagem anglo-saxónica designada por "Hot Section". É a secção do motor aquecida por acção da combustão e constituída essencialmente pela câmara de combustão, distribuidor, turbina e tubeira de escape. O elevado aquecimento e os ciclos térmicos associados aos ciclos mecânicos induzem esforços que reduzem a resistência mecânica dos materiais podendo originar defeitos mais importantes do tipo fissuração, deformação e desgaste, de entre outros. Por este motivo, a Zona Quente está sujeita a um esquema de vigilância mais intensivo e pormenorizado que outras zonas do motor. Esta vigilância é denominada Inspecção à Zona Quente. Na linguagem anglo-saxónica é designada por "Hot Section Inspection" ou "HSI".

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